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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Porno Política - Paixões e taras na vida brasileira - Arnaldo Jabor



Neste livro, Arnaldo Jabor apresenta uma coletânea de crônicas em que temas públicos misturam-se ao universo de nossas fixações interiores. Política, sexualidade, miséria, arte, memória, medo - ao usar o cotidiano como matéria-prima de seus textos, Jabor associa fato e ficção mostrando paixões e taras que talvez preferíssemos ocultar. Com seu texto brilhante, irônico, ácido e direto conduz o leitor a assuntos bizarros de nossa política, com passagens até bem engraçadas. 
Uma crônica que adorei é a "Estamos todos no inferno", na página 43 do livro, e que posto abaixo pra vocês.

 "Estamos todos no inferno"

'Você é do PCC?"

- Mais que isso, eu sou um sinal de novos tempos.
Eu era pobre e invisível... vocês nunca me olharam durante décadas... E antigamente era mole resolver o problema da miséria... O diagnóstico era óbvio:
migração rural, definível de renda, poucas favelas, ralas periferias...
A solução é que nunca vinha... 

Que fizeram? 
Nada.
O governo federal  alguma vez alocou uma verba para nós? 

Nós só aparecíamos nos desabamentos no morro ou nas músicas românticas sobre a "beleza dos morros ao amanhecer", essas coisas...
Agora, estamos ricos com a multinacional do pó.
E vocês estão morrendo de medo... Nós somos o início tardio de vossa consciência social... Viu?
Sou culto... Leio Dante na prisão...


- Mas... a solução seria...


- Solução? 


- Não há mais solução, cara...A própria idéia de "solução" já é um erro. 
Já olhou o tamanho das 560 favelas do Rio?
Já andou de helicóptero por cima da periferia de São Paulo? 

Solução como? 
Só viria com muitos bilhões de dólares gastos organizadamente, com um governante de alto nível, uma imensa vontade política, crescimento econômico, revolução na educação, urbanização geral; e tudo teria de ser sob a batuta quase que de uma "tirania esclarecida", que pulasse por cima da paralisia burocrática secular, que passasse por cima do Legislativo cúmplice (Ou você acha que os 287 sanguessugas vão agir? Se bobear, vão roubar até o PCC...) e do Judiciário, que impede punições. Teria de haver uma reforma radical do processo penal do país, teria de haver comunicação e inteligência entre polícias municipais, estaduais e federais (nós fazemos até conference calls entre presídios...)
E tudo isso custaria bilhões de dólares e implicaria numa mudança psicossocial profunda na estrutura política do país. Ou seja: é impossível. Não há solução.


- Você não têm medo de morrer?


- Vocês é que têm medo de morrer, eu não. Aliás, aqui na cadeia vocês não podem entrar e me matar... mas eu posso mandar matar vocês lá  fora.... Nós somos homens-bomba. Na favela tem cem mil homens-bomba... Estamos no centro do Insolúvel, mesmo... Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira.
Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração...
A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Ha, ha... Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante...mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país.
Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade.
Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de
pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo. 


- O que mudou nas periferias?


- Grana. A gente hoje tem. Você acha que quem tem US$40 milhões como o Beira-Mar não manda?
Com 40 milhões a prisão é um hotel, um escritório...
Qual a polícia que vai queimar essa mina de ouro, tá ligado? 

Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas"... ha, ha... 
Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes.
Nós temos métodos ágeis de gestão. 

Vocês são lentos e burocráticos. 
Nós lutamos em terreno próprio.
Vocês, em terra estranha. 

Nós não tememos a morte.
Vocês morrem de medo. 

Nós somos bem armados.
Vocês vão de três-oitão. 

Nós estamos no ataque.
Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo.
Nós somos cruéis, sem piedade. 

Vocês nos transformam em superstars do crime. 
Nós fazemos vocês de palhaços.
Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. 

Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. 
Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais.
Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses.
 Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.


- Mas o que devemos fazer?


- Vou dar um toque, mesmo contra mim.
Peguem os barões do pó! Tem deputado, senador, tem generais, tem até ex-presidentes do Paraguai nas paradas de cocaína e armas. Mas quem vai fazer isso? O Exército? Com que grana?
Não tem dinheiro nem para o rancho dos recrutas...
O país está quebrado, sustentando um Estado morto a juros de 20% ao ano, e o Lula ainda aumenta os gastos públicos, empregando 40 mil picaretas. O Exército vai lutar contra o PCC e o CV? Estou lendo o Klausewitz, "Sobre a guerra". Não há perspectiva de êxito... Nós somos formigas devoradoras, escondidas nas brechas... A gente já tem até foguete antitanques... Se bobear, vão rolar uns Stingers aí...Pra acabar com a gente, só jogando bomba atômica nas favelas... Aliás, a gente acaba arranjando também "umazinha", daquelas bombas sujas mesmo.....
Já pensou? Ipanema radioativa?


--- Mas... não haveria solução?


- Vocês só podem chegar a algum sucesso se desistirem de defender a "normalidade". Não há mais normalidade alguma. Vocês precisam fazer  uma autocrítica da própria incompetência. Mas vou ser franco... na boa...na moral... Estamos todos no centro do Insolúvel. Só que nós vivemos dele e vocês... não têm saída. Só a merda. E nós já trabalhamos dentro dela.
Olha aqui, mano, não há solução. Sabem por quê?
Porque vocês não entendem nem a extensão do problema. 

Como escreveu o divino Dante:
"Lasciate ogna speranza voi che entrate!"
Percam todas as esperanças.
 

Estamos todos no inferno.

Arnaldo Jabor 

Estante Virtual

Radiohead - The Most Gigantic Lying Mouth of all Time - 2004

The Most Gigantic Lying Mouth of All Time, reúne animações, curta-metragens e, claro, algumas músicas. Todo o material tem cerca de duas horas de duração e foi levado ao ar pela radiohead.tv, transmitida pela Internet e criada para divulgar o álbum “Hail To The Thief”.  No download o dvd está dividido em dois cds .

Episode One

1. The Cat Girl (Ebba Erikzon)
2. The Slave (James Field)
3. When An Angel Tries to Sell You Something [1] (Rick Hind and Ajit N. Rao)
4. Skyscape (Vernie Yeung)
5. Sit down. Stand up. (Ed Holdsworth)


Episode Two

1. Lament (Cath Elliot)
2. The Big Switch (Chris Levitus)
3. The Scream (Paulo Neves)
4. Inside of My Head (Ashley Dean)
5. De Tripas Y Corazon (Juan Pablo Etcheverry)


Episode Three

1. Listen To Me Wandsworth Road (Ebba Erikzon)
2. Hypnogoga (Louise Wilde)
3. and murders of crows (Paul Rains)
4. Freak Juice Commercial (Rick Hind and Ajit N. Rao)
5. Running (Hannah Wise)
6. Push Pulk / Spinning Plates (Johnny Hardstaff)


Episode Four

1. Dog InI Might Be Wrong (Sophie Muller)
2. HYTTE (Gary Carpenter)
3. Momenum (Camella Kirk)
4. Chickenbomb (Vernie Yeung)
5. Welcome to My Lupine Hell (Ashley Dean)
6. The Homeland Hodown (Jason Archer and Paul Beck)
7. I Might Be Wrong (Sophie Muller)
8. The National Anthem (Mike Mills)

Algumas partes do DVD

 
 

 

domingo, 22 de abril de 2012

Black Sabbath - Live in Paris - 1970

Esse show é um presente para os fãs da banda. O vídeo foi gravado em 1970 no "L'Olympia", em Paris, apenas dois meses depois do lançamento do álbum "Paranoid". Vale a pena ter esse registro.


Faixas 

1- Introduction 
2- Paranoid 
3- Hand Of Doom
4- Rat Salad
5- Iron Man
6- Black Sabbath
7- Intermission
8- N.I.B
9- Behind The Wall Of Sleep
10- War Pigs
11- Fairies Wear Boots

Doc - Cinzas e Neve - 2005

Ashes and Snow, é uma obra-prima do artista canadense Gregory Colbert. O registro de 60 minutos é uma narrativa poética em vez de um documentário. Destina-se a levantar as barreiras naturais e artificiais entre seres humanos e outras espécies, dissolvendo-se a distância que existe entre eles. As imagens são o resultado de mais de 40 viagens do artista à Índia, ao Egito, à Namíbia, a Bornéu e a outras regiões do mundo, durante os últimos 15 anos. Típico doc para ser assistido bem a vontade, num local bem zen, com os telefones desligados, crianças trancadas (kkk), cachorro preso e deitado, para poder curtir as imagens em paz. Visual inacreditável. IMPERDÍVEL. 

    Pequeno trailler


Legenda - baixar legenda (ZIP) 

Dica de filme - Balzac e a costureirinha chinesa - 2002

O filme do diretor chinês Sijie Dai é filmado num vale montanhoso prestes a ser alagado pela represa das Três Gargantas. Durante a revolução cultural, um grupo de jovens acusados de reacionários é levado para uma comunidade agrícola nas montanhas, para serem reeducados. Lá, os dois amigos Luo e Ma conhecem uma camponesa, neta de um famoso costureiro da região. Os três começam a andar juntos e debater idéias e modos de vida diversificados, até que encontram uma coleção de livros proibidos, entre eles os romances de Honoré de Balzac.



Legenda - baixar legenda (zip)

CD do dia - Albert King & Steve Ray Vaughan - In session

Essa união foi registrada durante um programa de televisão, in session, em 06 de dezembro de 1983 e lançado como um álbum em 17 de agosto de 1999. Lançado em DVD, em 28 de setembro de 2010. Albert King era ídolo e mentor de Vaughan. Um aspecto interessante do álbum é que ele inclui curtos segmentos de áudio da brincadeira entre os artistas entre as músicas.
 

A arte de Zeng Fanzhi

Zeng Fanzhi nasceu em 1964, em Wuhan - China, e estudou pintura a óleo na academia de lá. Hoje vive e trabalha em Pequim. Expôs amplamente em instituições de renome, como o Museu de Arte de Xangai, o Museu Nacional de Arte de Beijing, o Museu Kunst Bonn da Alemanha, o Centro de Arte de Santa Mônica e no Centro de Arte de Hong Kong.
O que Zeng Fanzhi recria em sua arte simula a fadiga da experiência contemporânea: a corrida para adquirir e consumir, apenas na medida de se sentir cada vez mais alienado e distante. Trabalhando em formas idiossincráticas, ele nos lembra o quão eficaz pode ser a arte quando ela colapsa essas variedades da experiência. 
Ele é conhecido por sua série de retratos Máscara representando o povo chinês da década de 1990. Um deles, a Máscara Series 1996 N º 6 , foi leiloada por US $ 9,7 milhões. Confira um pouco do trabalho do artista.







Máscara Series 1996 N º 6
Oil on canvas
200 x 360 cm. (78 3/4 x 141 3/4 pol)
Pintado em 1996













Zeng Fanzhi, "Portrait 07-8-4"
2007
Oil on canvas
74 5/8 x 62 7/8 inches (189.6 x 159.7 cm)





Zeng Fanzhi, "Lion"
2008
Oil on canvas in three panels
110 1/4 x 212 5/8 inches (280 x 540 cm)













Zeng Fanzhi, "Portrait 08-7-6"
2008
Oil on canvas
10 5/8 x 10 5/8 inches (27 x 27 cm)













Zeng Fanzhi, "Untitled 09-3-2"
2009
Oil on canvas
59 x 59 inches (150 x 150 cm) 













Zeng Fanzhi, "Portrait 08-7-7"
2008
Oil on canvas
12 1/4 x 10 inches (31 x 25.5 cm)